sábado, 30 de julho de 2011

Quanto mais o tempo passa menos o temos...

Estou cansada.

Lembro-me que antigamente tinha sono pesado e um tempo longo para dormir, hoje tenho o sono leve e não tenho o tempo, e ainda os dias parecem-me mais curtos ou o que quer que seja.

Chego a conclusão que quanto mais o tempo passa menos tempo parece que temos. Estranho isso.

O trabalho de produção é desgastante, a correria, o vai e vem, as coisas que faltam, que quebram, os imprevistos que são sempre previstos, tudo... ai... tem dias que precisamos deitar, comer uma pipoca e desligar o celular, ou somente rir um pouco.

Incrível é que essa rotina elétrica nos vicia. Nos dias que por eventual destino fico sem atividades sinto-me improdutiva e por vezes inútil... o vício do trabalho, a queixa do trabalho.

Ontem mesmo foi um dia delicioso no Recreio Shopping, me diverti com as crianças e especialmente amei um menino chamado Vinicius. Um príncipe. Possivelmente uma criança que nunca mais verei mas que trouxe ternura e carinho ao meu coração em mais um dia da minha vida. Foi um presente do céu para meu longo dia aquele abraço.

Existem pessoas que estão para nos presentear e nunca saberão disso. Nunca.

São segundos inesquecíveis que nunca mais serão vividos  novamente mas que possuem um grau de intensidade inexplicável.

Coisa linda esse príncipe: Vinicius - Recreio Shopping - 29 de julho 2011

A gentileza e educação de um outro menino me trouxe lágrimas nos olhos. Por favor, com licença, obrigado são palavras que operam milagres mesmo, ainda mais vindas de crianças.

Esse público me fascina, sua sinceridade e verdade me renovam.

É claro que desmaiei de cansaço por toda a semana que me parecia interminável e ainda não findou - hoje ainda tem reunião no Jockey e amanhã trabalho no Bangu Shopping - mas receber aqueles abraços e ouvir aquelas palavras são um beijo na alma.

E por falar em cansaço foi conta dele que não havia postado nada nessa semana, porém aqui estou, vencendo-o.

domingo, 24 de julho de 2011

Amy = muitos





Amy Winehouse é tão parecida com tantas pessoas. Tem um pouco de todos e tudo.

Pensar no quanto podemos ser destrutivos nos mostra o quanto somos humanos, falhos e simples.

Sempre pensei que só nos conhecemos até onde fomos. Temos tendências e somos atraídos para elas. Temos questionamentos, insatisfações, medos e frustações que podem ocasionar grandes males se não forem bem administrados.

Lembro da primeira vez que traguei um cigarro aos 16 anos. Foi ótimo. Foi bacana e sempre achei que era bonito. Fumei durante doze anos e tive diversos momentos angustiantes em hospitais por crise de bronquite crônica. Parar a primeira vez foi fácil. A segunda tive dores de cabeça e insistente mau humor que incendiava minha vida.

Parei de fumar por 7 anos, voltei 2 e parei novamente. Não sinto vontade alguma de fumar, mas quando paro para lembrar ainda sinto o gosto do malboro vermelho na boca, e enfim, pra quem usa o gosto é muito bom. Seja que substância for. A sensação não alimenta só o corpo, sabemos...

Lá no fundo conhecemos nossos limites o que nos atrai a rompê-los. Alguns limites devem ser preservados para que sejamos preservados de nós mesmos. "No fim a peleja somos nós contra nós mesmos."



Tenho amigos e amigas que fumam um cigarrinho uma vez no ano, uma vez ao mês... assim sem nenhuma pretensão, somente porque estavam em belo bate papo em um lugar bacana e havia o clima com aquele vinho seco e os assuntos que varam a noite... eu sei que não posso. Tenho que me cuidar.

Existem pessoas que se derem um trago compram um maço. Eu sou dessas, foi asssim que voltei a fumar uma vez: dei um trago e pronto. Comprei um maço e foi como se nunca houvesse parado.

Nós temos realmente que entender que existem pessoas que têm disposição orgânica para adicção. É uma probabilidade grandiosa para a continuidade e fluência. Há de ser compreendidas e respeitadas essas diferenças.

É triste, porém é assim. Cada um é cada um. Cada um é um mundo.

Outros e muitos fatores contribuem para essa fornalha. O desequilibrio emocional e interior é um ingrediente impulsionador para o mergulho no desconhecido e nos grandes e estimulantes riscos.

A insatisfação e frustração têm um poder de incentivo forte também. Amigos, amigos, amigos... também são fatores.

Tantas pessoas se entregam em relações afetivas angustiantes e perigosas, nocivas e altamente sofridas. São outras drogas, são outros vícios.

O vazio, a solidão, a tristeza, tantas coisas podem ser camufladas... Para tudo há um porquê.

Quando não é tendência à adicção é fator emocional, mas com toda certeza tem que ser tratado de dentro pra fora em quaisquer opções.

Reconhecer-se é fundamental para melhor viver. Mesmo assim ainda erramos. Não toma cuidado não pra ver!!!!

Lamento a Amy. Assistir as matérias sobre suas idas e vindas, seus tombos, shows, sua carreira, isso me entristece de uma forma tão forte que me abstenho de ouvir. Não porque é uma cantora singular, com uma voz explêndida, mas pela degradação do ser. Me lembra um jovem a quem doamos comida por um tempo nas ruas, usuário de crack que agora está morando perto de uma praça com sua namorada grávida. Triste...



Triste ver as pessoas assim. Triste para um pai ver seu filho nas ruas, a droga consumindo tudo. Consumindo a vida. Secando a carne. Destruindo a mente. Findando a vida.

Lamento a Amy. Lamento todos. Realmente lamento.

Só nos conhecemos até onde fomos. Não dá pra se jogar em um buraco e contar com a sorte pra sair. Não sabemos se temos braço pra isso, ou se há uma corda para subir.

Há lugares que só saímos com ajuda divina mesmo. Há lugares que só saímos por milagre, só com Deus, esse é o maior braço forte.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Aprendi!!! Ok!

Ok! Vivo dizendo que aprendi, reconheço, porém dessa vez aprendi mesmo e vou fazê-lo: Nada de usarem a minha maquiagem e não uso a de mais ninguém.

Os camarins com aqueles potes, pós, blushs, batons, lápis,pancakes, corretivos... aí não tem jeito, um usa o material do outro.



Já faz um mês que estou usando colírio por conta de uma inflamação irritativa que pode ter sido proveniente de um lápis de olho. Ai que prejuízo, que coisa chata.

Me lembro de uma vez que fiquei em cartaz no Rio, e fiz o circuito Sesc de teatros. Uma pessoa fez divulgação com o figurino que eu usava. Fez durante o dia, suou, ninguém me avisou e eu quando cheguei no fim de semana vesti. Sabem o que aconteceu? Peguei uma coisa na pele que fiquei cheia de brotoejas até no rosto, fui parar no hospital de Ipanema.

Ninguém merece! Olha, os bacanas falam que sou chata, mas as experiências constroem essas coisas...rsrs



Então, nesta nova lição de uso comum, escolho não pegar mais nenhuma coisinha se puder. Nada de divisão da maquiagem. Não aguento mais pingar essas ardentes gotinhas nos meus olhos 4 vezes por dia.

Somente pele

Vi algumas fotos das exposições de Miru Kim, fotógrafa norte-americana e fiquei encantada com seu fascínio pelo órgão pele.

As fotos nua em locais tão diversos, abandonados, sujos... a plástica visual é muito bacana.

A sensibilidade disso tem profundeza e limites individuais. O toque, o cheiro, o corpo, lidar com esses fatores tem diversas e tênues linhas.

Nua e desconexa da imagem exposta e ao mesmo tempo inclusa tem intensidade vital.. Parece que o corpo não deveria estar daquela forma naquele ligar, naquele momento.

A nudez, a exposição, é um ato de liberdade, de coragem, de aceitação, de tantos fatores únicos e mudos entre tantos.

A foto em que Miru Kim festá na Manhattan Bridge é muitíssimo imponente.

Exposição de 2009 - Manhattan Bridge
O fascínio de Miru por "pele" me faz pensar na grandeza e utilização da mesma.

Um dia uma pessoa estava conversando comigo sobre cenas de toque e pele. Algumas pessoas têm muito medo de seus namorados e namoradas (maridos e esposas) atores terem envolvimentos com seus amigos de trabalho por conta disso. Isso bate com a postagem anterior sobre o distanciamento Brechtiano entre personagem / ator, mas com certeza é algo delicado sempre. A cabeça tem que ser resolvida para que o corpo não padeça.

O ator corre riscos intensos e prazeres extremos. Palco é palco, riso é riso, amor é amor e é isso. Mergulho intenso e depois nado de volta. Há uma separação sim e é clara. Aos que estão solteiros ou abertos em seu interior às novidades emocionais, dá-se abertura para que a pele faça-se valer de si mesma e de outras peles.

É assim em qualquer lugar. Depende do seu estado interior.

Em uma oficina que fiz em 1997 numa escola de teatro em Laranjeiras no Rio, lembro-me como se fosse hoje de um exercício realizado no salão que estava completamente envolto pela escuridão. Quando menos esperava levei um puta tapa na cara. A regra era não abrir os olhos, e eu sou uma pessoa de regras, não abri, mas xinguei todos os palavrões que estavam em mim e não sabia que haviam tantos lá! Foi impulso, reação, e o toque daquela mão na minha pele com aquela força, me surpreendeu comigo mesma.

Coisas de pele, coisas que não esperamos, contato que não queremos, mas aprendemos a lidar com o novo. Tudo sempre é novo. Seja em aula ou na vida. As experiências de confrotamento com o que somos são diárias e são verdadeiras descobertas. Os sentidos, os sentimentos, as sensações que experimentamos todos os dias fazem diferença no nosso crescimento pessoal e isso muda nossa vida, nosso comportamento, nossas posições.

Uma das coisas que mais admiro são as rugas. Quando vejo no cinema, tv, no teatro, nas ruas, nas fotos... ah como amo ver rugas expressas em fotos... amo essas marcas do tempo, essa pele. É valorosa, é intensa essa pele. Carrega uma carga vivida grandiosa. Não sei como será a sensação de tê-las, mas vou tê-las e vou entendê-las...



Coisas de pele, coisas que descobrimos na pele e com a pele. Só vivendo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Fiquei impressionada

Eu sei que muita gente acha que a vida de ator é moleza.

Corporizar uma personagem é algo tão intenso, de tamanha sensibilidade.

Lendo minha assinatura mensal da Bravo!, uma revista qjue indico à todos aqueles que apreciam arte em sua diversidade, li uma matéria e fiquei impressionada.

Os danos psicológicos e físicos causados à atriz Mariana Lima foram profundos no trabalho que ela desenvolvia numa determinada companhia teatral.  Nossa profissão é tão delicada quando se trata da verdade na construção de uma personagem. O veículo ator pode ser atingido se não conseguir aquele distanciamento saudável entre o seu Eu e o Eu personagem.

Muitas pessoas podem ser conduzidas de forma sutil ao abismo. O nosso interior há de ser sempre cuidado com priorização.

Um dia me falaram que para que eu chorasse em cena devia lembrar de uma coisa triste em minha vida.

Aí pensei: morte do meu pai foi triste... mas DEUS ME LIVRE toda vez que tivesse que chorar em cena eu tivesse que viajar em minha memória emotiva. Ficaria doente. Seria sofrimento real toda vez que encenasse, e se ficasse em cartaz por 2 anos???

Descobrir a dor da personagem e senti-la, para mim é trazer à cena sua alma, isso "exclui-me" de cena, é certo que há de nós neles, não podemos ser retirados de toda forma, senão não estaria lá.

A nossa experiência, nossa vivência aumenta a densidade das construções.

O laboratório é bacana. Conhecer, ver, ouvir, sentir o cheiro.

Mas se tivermos que nos magoar para entender o magoado, nos machucar, nos viciar, se precisar fazer as coisas mais nocivas para que isso aconteça, como será?

Nos conhecemos até onde fomos.

Não dá pra se jogar no buraco... não sabemos se temos força ou alguém com uma corda pra nos tirar de lá.

É dificil falar disso, todos esses pensamentos me fazem lembrar vários danos que tive quando vivi experiências em um determinado grupo de pessoas que acabou por sugestão conduzindo por um breve tempo muitos momentos da minha vida. Triste isso. Demorei a me recuperar. Até bem pouco tempo ainda tinham vestígios dessa coisa...

O material principal de trabalho do ator é ele mesmo. Isso é sério demais.

Temos que ter o distanciamento Brechtiano.

Olá Bacanas!

Olá bacanas!

Esse é um lugar ímpar.

Vou escrever e escrever.

Fiquem a vontade.

Comentem o que quiser!
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