sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Começa dentro, acontece fora.

Tudo começa de dentro pra fora.

Ok! Já sei.

É que às vezes estranhamos esse "samba do crioulo doido" que acontece em nós.

Está tudo programado para ser certo, exato, correto, bem feito... Tudo calculado...


Porém, há de se entender que nada está tão confirmado. Pelo menos por nós!

Em pensar que traçamos tantos objetivos quando iniciamos o ano. Promessas e tudo mais fazemos a nós mesmos.
Visonamos, direcionamos, mas enfim, não comandamos de fato o destino.

Parece-me que ele está por si só trabalhando, se é que posso falar "por si só".

Olhando de fora ninguém sabe o que há dentro.
Olhando de fora todo belo é príncipe.
Olhando de fora estamos de fora mesmo.
Esse movimento interno é que faz o resto acontecer.

Essa vida que recheia.

O calor, o humor e as coisas que fazem ferver o interno ser. Vozes que os outros não ouvem, mas que se forem gente daquelas que sentem as almas, vão ler os detalhes, os sentidos, os olhares, o ser.

Tudo começa de dentro pra fora.
Do ônibus indo para uma breve visita a Minas Gerais observei o que havia fora.

Tiradentes - MG

Fora de mim, através da janela, cortando os munícipios, mudando os estados, os sotaques, os ares.
Há um mundo fora e que dentro podemos vibrá-lo.

São João Del Rey - MG


Não se pode minimizar o tanto que há. E ainda há tantos que olham para seu mundo como se fosse uma dimensão imensa.
Há tanto lá fora.

Sim, eu sei: cada um é um mundo. Eu também.
Sim eu sei: O que está fora só tem sentido quando realmente visto e sentido pelo que está dentro.
Mas se o que está dentro estiver em desequilibrio, desarcordo, torto... então nada do que está fora terá sentido.

O que está fora só tem sentido quando o que está dentro é perceptivo.

O cheiro dos momentos, a poesia dos olhos, as palavras fortes não ditas, as verdadeiras vontades reveladas nas exclamações colocadas, as perguntas, as respostas já dadas... não posso deixar de falar na energia dos lugares, seus tempos, seus ventos, sua gente... na beleza das histórias, no curriculo dos laços, nas confissões que silêncio traz, no bom incômodo pela movimentação contida em si quando não se faz o que se quer... os estampidos da cidade, as cores, os bares, o cheiro do mar livre... tudo...



O que está dentro tem que Ser para Ver, para Sentir, para Estar.

Tem que ter olhos para ver as verdadeiras paisagens e não deixar simplesmente passar sem registrar em si. Sem absorvê-las, desfrutá-las. Vivê-las.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Festa estranha com gente esquisita


Beleza, sou assim mesmo. Gosto de gente de verdade.

Não escondo o que sinto. Não finjo.

Às vezes assusto quem tem medo de ser, mas fazer o quê?

Sou o que sou e quando o que sou não basta, eu mudo.
Sem medo de mudanças, sem medo de perguntas e respostas.

Às vezes a vida se parece com os versos de uma música do Legião Urbana que diz assim: 


"Festa estranha, com gente esquisita..."



Gente escondida, sendo amáveis e simpáticas on e off se mostram em um reino TÃO, TÃO DISTANTE como no filme Shrek. Tanta bobeira... tanta coisa falta de sangue, de toque, de papo. Tantos mundos interessantes... cada um é um mundo.



Incrível conviver, ver e viver nessa novela realística. Histórias escritas por verdadeiros personagens.


Ai, ai... e ainda falam tão mal dos atores. Falam daquele que tem por profissão ser ator, daquele que representa o que não é.

O que dizer daquele que é e fingi não ser?

Outro dia disseram-me: "Ah... esses atores mudam de namorado, marido, tudo muito rápido..." e a coisa continuou por um longo tempo. O meio artísitco é um assunto vasto e fácil de ser desenvolvido... Respondi algo que acredito:

Prefiro aqueles que mudam de par porque não estão felizes, do que aqueles que continuam com seus pares infelizes, e os traem para terem felicidade. Mas vale a sinceridade para consigo do que a hipocrisia para com todos. 


Para serem pertencentes ao molde social estabelecido, infelicitam a tantos.


"Festa estranha com gente esquisita, eu não tô legal..."


Eu não quero ESSA birita!!!


Querendo saber ou não, tá todo mundo junto: joio e trigo, doido, matuto, estranho, normal, sem graça e tal, tudo e todos... tá tudo aí.


E seguimos assim, supreendendo-nos a cada capítulo, mesmo que esteja programado e já escrito, as interpretações sempre supreendem.

domingo, 4 de setembro de 2011

Ethan McCord e tudo o que fazemos quando somos doutrinados

Assisti ao programa Dossiê e fiquei muito sensibilizada com a matéria sobre Ethan McCord.

Ethan McCord fardado.

Ethan é um ex-soldado americano que esteve na guerra do Iraque. Seu nome e de um amigo ficaram conhecidos pela publicação de uma carta de desculpas ao povo iraquiano pelas atrocidades que cometaram juntamente com o exército de seu país. A carta causou muitos danos ao soldado (que teve seus filhos ameaçados de morte e obteve a repulsa de vários ex-combatentes)  mas trouxe um pouco de paz a seu espírito, visto que em sua declaração ao Dossiê disse que será assombrado até à sua morte pelos rostos das pessoas que matou. Armadas e desarmadas.

Foto de mortos na guerra iraquiana

O caso do Ethan me remete à outros milhões de casos. Pessoas são doutrinadas todos os dias em locais completamente diferentes pelo mundo afora. Em nome de Deus, do país e de tudo o mais elas são fantoches nas mãos dos que as manipulam.

Ethan McCord - ex-soldado americano que esteve na guerra no Iraque

Muitas vezes nos transformamos para pertecer a um lugar, para fazer parte de determinado grupo e nem percebemos. Mudamos nossas roupas, nosso jeito, tudo para sermos aceitos e não conseguimos enxergar o que essas influências estão fazendo ao que somos.

Ethan revelou que fora disciplinado de tão maneira (juntamente com os outros soldados), que era uma ordenança aceitável em sua mente a matança à todos os iraquianos. Se uma bomba explodisse e jovens estivessem jogando futebol em um campo próximo: eram mortos. Se fossem atingidos por algo de surpresa e à sua volta estivessem mulheres e crianças em um quintal: eram mortos. 

Sua mente mudou e o fez pensar na crueldade que estavam imputando àquelas pessoas inocentes quando transportou duas crianças em seu carro de combate. As crianças conseguiram levar seu pensamento aos seus próprios filhos. Já não atirava nas pessoas e sim em telhados, pois se não atirasse seria punido. Então fingia.

Todas as pessoas que vivem em grupo ou são forçadas a pertencerem à determinado grupo de trabalho, são muitas vezes conduzidas ao erro. Algumas pessoas dizem: ela não está vendo que isso é errado? Ele não sabe? Posso dizer por experiência própria que às vezes não percebemos que nossa consciência está sendo cauterizada bem à nossa frente.

Muitas vezes andamos juntamente com pessoas que não percebemos quem são e seus reais interesses. Existem mensagens que são enviadas à nossa mente subliminarmente. 

Lembro-me de uma vez que fui fazer um teste para um comercial da nissim miojo. Voltei do estúdio maquiada e arrumada e fui direto para uma reunião em uma determinada igreja. Revivo esse instante ao escrevê-lo... as pessoas olharam-me com espanto e julgaram-me por estar tão arrumada e chamando a atenção. Posso lembrar a sensação ruim que senti, o peso e a culpa. Senti-me errada por estar tão bonita. Incrível isso.

Eu quis pertencer e mudei o que não precisava, pois a mudança no homem deve ser interna. Isso é o que realmente interessa e transforma todo o resto.

A ambiência proposta, aquela sociedade, aquelas regras impostas ao lugar estavam gritando ao meu psicológico: ISSO É ERRADO! MUDE!

As regras que Ethan viveu o transformaram, feriram com a dor interna que não pode ser mensurada por ninguém. Muitas pessoas sofrem isso. Em casos ligados às suas profissões (como no outro post sobre a atriz Mariana), religiões, famílias... culturas... pensar nas meninas que são mutiladas ainda em crianças e têm seu clitóris arrancado pois só o homem pode ter prazer é um desses horrendos casos. Uma avó disse que sabia que isso era errado mas tinha que fazer com sua neta pois ela também havia sofrido isso. É uma violência, uma mutilação no corpo e na alma.

Como podemos ser tão impulsionados pela massa? A sociologia fala dessa análise comportamental, dessa opressão que aqueles que se libertam sofrem para seguirem a boiada.

Graças a Deus existem pessoas que vão. Pessoas que no meio do que são obrigadas a viver conseguem perceber a violência que estão praticando a si mesmas e muitas vezes aos outros. Enxergam-se e vêm que não pertecem àquelas atitudes e muito menos àquela crença de que em nome de quem for podemos tudo, inclusive matar aos outros e à nós mesmos.

Essa violência interna acaba com o que somos. A depressão e tristeza, a repulsa e vergonha invandem a alma quando estamos agindo de forma desconexa com o que realmente somos e sentimos. Podemos permanecer por algum tempo no erro, mas fatalmente algo dentro de nós irá sinalizar que estamos na direção errada.

Uma pessoa para quem trabalhei na minha área explorou-me durante um longo tempo. Seu trabalho psicológico era tão bom e tão bem feito que fazia-me sentir útil, pertencendo àquilo... e feliz com isso. Algum tempo depois, quando "cresci" no que fazia percebi que havia uma exploração da minha amizade e inexperiência. Enfim, cresci e enxerguei. Mudei os fatos. Abandonei aquele trabalho, mas confesso que aprendi muito naqueles anos.

Assim são as coisas. Acontecem. 
É triste, mas muitas coisas servem de alicerce e direção para um futuro diferente.

Ethan é um porta-voz contra a guerra, contra a violência.

Somos capazes de cometer grandes erros, no entanto somos capazes de acertar a nossa vida e ajudar às pessoas que podem cometer ou estão cometendo os mesmos erros que nós quando seguimos nossas verdades e nos responsabilizamos pelo que somos e pelo que fazemos. 

Os acertos podem não repercutir tanto quanto os erros, 
mas com certeza são a melhor parte de nós.



Ela não está tão a fim de você >>> atitudes revelam o ser

Tudo bem. Certo é que somos assim: tão indefinidos.

O interior se faz desconhecido aos olhos, porém a grande revelação que ele faz é vista através das revelações demonstradas pelas suas atitudes.

O comportamento atitudinal nos esclarece tudo.

Muitas vezes não estamos dispostos a perder a visão romântica da vida, estamos na maioria das vezes desculpando as pessoas por suas fraquezas de caráter e erros. Mal do homem. Normal.

Mas tenho que dizer que as pessoas são o que são. São como são, são o que demonstram, e não o que falam.

Uma coisa é a poesia lida, outra coisa é a poesia interpretada. Causa mais impacto, faz uma grande diferença.

Eu vi um filme (tem um bom tempinho) chamado ELA NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ, o filme fala um pouco disso. Relata a visão complexa da mulher e a simplicidade masculina, tipo: se ele não ligar é porque não quer, se ela não ligar está fazendo charme. Revela a complexidade das realções, escolhas e aceitações. Concordo com vários pontos de vista exibidos no filme e posso dizer que no convívio social acontece o mesmo. Muitas vezes vemos o que queremos ver e pronto.


Lembro-me de Judas e Jesus. Jesus convivia com Judas e sabia que iria traí-lo, porque enxergava muito além do comportamento exibido nas reuniões públicas e pessoais, Ele sentia o que realmente havia dentro dele, via com "outros" olhos, aqueles que podem verdadeiramente qualificar alguém.

Isso é impressionanete. Quando relacionamos a caixa (ou o jarro) que Pandora despejou sobre o mundo lembramos das surpresas que podem estar escondidas bem à nossa frente, dentro que caixas belas, jarros decorados e ornamentados com pedras preciosas, mas que expelem substâncias que podem causar doenças e trazer desgraça.


Somos na maioria das vezes passionais embora devessemos ser diretivos e sensíveis às demonstrações atitudinais, inclusive as nossas. Penso que muitas palavras que já disse eram apenas esboços do que realmente gostaria de revelar, que muitas vezes fui moderada com o que não devia e complacente com o que não havia merecimento. Essas experiências vão definindo com o tempo o que somos e nos aperfeiçoando para sermos o que fomos projetados para ser.

Acredito em projeção. Creio que todas as coisas cooperam jutnamente para o bem.

Quando nos iludimos com o outro perdemos a chance de valorizar àqueles que estão à nossa volta e muitas vezes não enxergamos. Deixamos de dar a honra a quem tem honra.

Existem pessoas que gostamos, qualificamos, perdoamos e queremos ter por perto, mas que na verdade são como aquele chocolate Kinder ovo: gostosos por fora, mas dentro vem um monstrinho!!!!


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