sexta-feira, 30 de março de 2012

...tudo voltando ao lugar.

... começo pelas reticências que preencheram dias de solidão e solidez interna.


Depois da reclusão, a liberdade.

É como o sol depois de um dia de chuva.

É como chorar compulsivamente em uma noite e amanhecer de alma lavada e leve.

...foram reticências com tantos textos e subtextos que as palavras fugiram,
não queriam ser prosa,
não queriam ser verso,
não queriam ser vistas... estavam estranhamente entranhadas em todas as minhas formas.

...foram reticências que pareceram ser infinitas, mas... finitas são.

Porque há coisas que não querem ser ditas,
coisas que não querem ser vistas,
coisas que só querem ser,
até resolverem ficar ou desaparecer.



Porque há coisas tão nossas que não podem ser descritas.



...e depois das reticências, vieram outras pontuações.
Os acentos gráficos começaram a ser mudados, e tudo vai voltando ao lugar.

Não volta a ser como antes, pois o que foi foi,
mas ao menos tudo vai voltando ao normal...

Não tão igual,
mas sim,
as reticências começam a ter fim... 
...ou começarão de forma diferente outras frases, e fases.



terça-feira, 27 de março de 2012

Moradora do silêncio....

Estava  eu morando 'num' silêncio sem fim...
Logo eu que antes habitava 'num' universo de conflito, palavras e sons.
Mas, por força do que com força se impôs, veio a quietude de mim.

Reduzidas minhas longas questões a um silêncio curativo.
Reduzidas foram as muitas palavras a uma saudável aminésia escolhida, regadas a boas e geladas doses de desapego.


Hoje meu silêncio foi habitado por frescos ares.
Inspiro e expiro com calma e força os ares que ventam o silêncio em mim.
Já fazem sopros e ruídos...



segunda-feira, 26 de março de 2012

Sem palavras...

Sem palavras.

Tudo que quero dizer não sai de mim.
Só pulsa forte e descompassado.

As letras que traduzem minh'alma fogem e deixam-me assim... só a sentir.




segunda-feira, 19 de março de 2012

As convenções não existem...

As convenções não existem.
São frutos de toda nossa hesitação.
São frutos do nosso medo de não aceitação.
As convenções estão em nossa mente.

Muitas vezes temos tanto medo de sermos taxados do que não somos,
julgados pelo que gostamos,
rejeitados pelo que cremos,
ou mesmo de termos nossas opções questionadas,
que aceitamos as convenções para estarmos enquadrados em uma ilusão coletiva.

As convenções estão em nossa mente.
Nossas cadeias são mentais.


Eu gosto do que EU gosto e não posso dizer que não por ninguém.
Não posso ser o que o OUTRO quer para que seja recebida de braços abertos...

Não precisamos de braços estendidos e sim de respeito.



Quem me limita?
Quem diz o que eu posso?
Quem determina o meu tempo?
Quem limita a minha idade?
Quem estabeleceu as regras da moda?

Temos que fluir como somos,
na intensidade que cremos,
emitindo o som do coração,
a força da palavra,
a densidade proposta pela vida,
sem essa falsa armadura.

Temos que ser reais.
Um ser real é fiel a si e a seus princípios.



Um ser real "É" porque não pode deixar de ser.

Um ser real é consciente das suas eiras e beiras,
dos seus alcances e deslizes,
da sua profundidade.

Não troca seus valores por normas tolas que só fazem um enquadramento estético-social para domínio da massa...

Convenções?
O que são elas perto da verdade?




Não há receitas prontas!

Não há receitas prontas!
Não há.



Claro que aprender pelo ouvir é economizar o percurso.
Economiza trabalho.


Mesmo assim, a receita não tem o mesmo efeito para todos.


Os pacientes são diversos, e os sintomas também.
Às vezes parecidos sim, 
na essência são muito parecidos,
mas ainda assim diversos...

Lulu Santos diz em sua música: "Para todo mal A cura..."

Sim.
Há respostas para todas as perguntas,
há remédio para todas as aflições da alma,
há cura.

Há verso,
e versificar é belo!

Há prosa,
E quem não gosta dela?

Há amor.
Esse sim é o sabor do esplendular...



Há sapato velho para todo pé descalço ou torto.



Há beijo,
e como beijo há!

Há costela para esquentar...

Há histórias para contar.

Não dá para seguir a receita de outro,
o prontuário é diferente,
mas pode-se analisar.

Há de se pensar em ouvir o médico interno,
o coração,
aquele que rege tudo.

Ele pulsa forte e muitas vezes rápido anunciando algo...
Pulsa forte e largo ansiando algo...
Ele vive a indicar caminhos e a desviar-se de tantos.

Ele é o médico certo para tudo... e todos.
Ele ouve O Sublime,
por isso sabe o que receitar...

Certamente é preciso, no que nós não podemos precisar nem a nós mesmos.

Quando ouvido é certeiro e não falha ao medicar.

A maior receita e essa vale para o bem comum é ouvir.
Ouvir-se seria o melhor por assim dizer.

Deixar o intuir ser.

E por longos momentos calar.


A abundância de palavras muitas vezes pode atrapalhar...

Nada de procurar a receita perfeita para viver a vida...
Se for assim, 
deixamos de viver,
de experimentar...

Somos únicos e nosso caminho também. 
Não há igual.
É como impressão digital.

Então falando de receitas prontas,
podemos até assim dizer que muitos caminhos devemos observar.

Porém tenho que falar: não seguiremos igual,
não aprenderemos igual,
não seremos quem fomos e muito menos o que foram outros...
Porque nosso metabolismo é outro...

Então resta-nos experienciar nossos próprios remédios,
nossa própria cura!

Nossa receita é Viver.


E pronto!

sábado, 17 de março de 2012

A arte nos provoca...

 - Provoca-me! Vai!
- Desnuda-me! Vai!
- Invade-me!

Ah essa arte provoca-nos...

Faz-nos externar o grito silenciado,
a força recolhida,
a lágrima guardada,
a intensidade desejada...

A arte expurga,
vibra,
aquece.

É viva,
enérgica,
um misto de silêncio e palavras,
de movimento e quietude investigativa.

A arte é provocativa,
nos instiga,
força-nos expelir nossos males...
E todo o bem que há em nós vem... assim... 
Leve e livre!

E quando a encontramos nossos olhares não cessam...
fixamente contemplamos sua forma,
sua cor, sua suavidade,
sua densidade...



Apaixonamo-nos por sua multiplicidade,



por sua sedução,


por suas curvas,

nuances,

romances,

seus risos descomportados,

suas sofridas lágrimas...


Apaixonamo-nos e entregamo-nos à ela: amada e bela arte!
Seduzente e intensa.
Felizes os que a experimentam em sua total entrega...
Em doar-se...

A tal arte nos impulsiona a ser a arte que somos...


sexta-feira, 16 de março de 2012

Silenciando...

Resignada ao silêncio.



Poupar as palavras e abandonar-se em si.

No silêncio ecoam palavras que jamais podem ser descritas, sensações inexplicáveis,
direções internas ditas em um lugar de plena e íntima habitação.

Equilibrio e direção.
Respostas e clarificação dos desejos ocultados pelas ações impensadas.


Conscientização do que se é e do que se quer.


Steve Jobs, o "homem apple", disse em um discurso: "...siga seu coração, sua intuição... eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar."  


Sim. Sabemos onde queremos ir, sabemos com quem queremos estar, sabemos o que desejamos viver, sabemos o que temos de melhor, e nossas maiores dificuldades também conhecemos... 
Está tudo ali no silêncio do eu... no profundo lugar.

Necessitamos estar nesse lugar com frequência e entrega.

O silêncio que nos compõe.

O silêncio que conhecido dominará nossas ações e criará nossas palavras.


O equilibrio da plenitude do que realmente somos exercitada em nós e ampliada ao mundo, refletindo em nossas atitudes nossa fé e consciência viva do que esperamos para nossos finitos dias carnais nessa linda terra em que peregrinamos.

Nossa essência é eterna e nos conduz ao que verdadeiramente tem valia.



Silenciando...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tudo agrega!

E quando coisas aparentemente ruins acontecem, o ruim não deve ser admitido como real.

Os acontecimentos não determinam o que sentimos e cremos.

São de grande valor, sejam ruins ou bons.
São de extrema função no que diz respeito ao crescimento e determinantes fatores cooperativos em nossa mudança.
Em que você crê?
Em quem?


Seja o que vier, seja o que for: é alavanca. Tudo depende do seu olhar...


Olhar para os momentos vividos com claridade é aceitar a maturidade proposta à nossa existência.

Todas as coisas cooperam para o bem.

Quando algo supostamente errado ao nosso olhar acontece, automaticamente abre-se um novo caminho.

Um novo passo é revelado, uma nova estrada.

As surpresas no caminho são o tempero do viver.

Muitas vezes portas devem ser fechadas para que outras tantas sejam abertas.

Tudo agrega, adiciona, altera e faz-nos seguir para o melhor, quando há em nós a visão clarificada pelo bem e pela fé.




segunda-feira, 12 de março de 2012

Porque somos feitos de arte e amor!

Porque somos feitos de arte e amor.
Não somos de marte!
Somos de arte!


Não somos estranhos,
não somos anormais...

Somos fora do padrão?
De que padrão estamos falando?
Há tal perfeição exemplar?

Somos o que somos,
sensibilidade à pele,
coragem ao falar...

Temos o recheio do movimento,
com uma sonoridade esplendular...

Temos a luminosidade explícita na coragem de ir... e expor-se... e deixar-se ler e ouvir...

Porque somos feitos de encanto,
e de palavras preenchemos nosso olhar.

Somos oceano profundo,
com algas,
folhagens,
obscuro...
Percorremo-os com nossa alma e repartimos o que a busca nos fez encontrar.


Porque somos feitos de arte,
o amor então apossou-se de nós.

Ampliou nosso sentir,
fez-nos ser doação e deixou o coração livre pra falar.

Porque somos cidadãos e sob a ótica do pensar devemos repartir o pão que há em nós.
Devemos executar a função,
devemos aplicar o dom,
devemos ser o representar.

Porque somos feitos de arte e amor.

Porque somos feitos de barro e arte!



Somos nobreza no paladar!
Vemos o mundo através de um olhar que não sabemos explicar,
só sentir...
Nossos sentidos nos conduzem assim...
Por uma estrada ímpar a andar!



sábado, 10 de março de 2012

Meu mundo...

Meu mundo é um espaço sem fundo.

Meu mundo é extenso, 
gostaria de dizê-lo mas não cabe no alfabeto.





Tem tanto movimento!



É cheio de ritmo e muita dança.




Tem uma calorosidade inexplicável...




Uma paixão pelas almas...





Uma esperança contínua...




É tão grande o meu mundo que cabe nele tanta gente...







Cabem tantos sentimentos,


cabem tantos ventos,
tantas estações...


Meu mundo é cheio de rimas, cifras, melodias, sensações...
Meu mundo é cheio de fé!





Há certeza e plenitude.
Há a crença do bem acima de tudo.
Há Deus em tudo.

O lugar onde minha alma descansa é cheio das grandezas das palavras do bem...


Ecoam pensamentos que dizem sim...
Refletem a convicção do meu coração,
mostram de mim e do meu todo.

É espiritual esse lugar.

Meu mundo me renova no meio da tempestade porque a aspereza da vida não lhe causa nenhuma rachadura...
não lhe causa dano algum.

Meu corpo me guarda.
Eu estou dentro dele.
Dentro de mim está o meu Deus.
E Nele há tudo o que preciso.

Há em mim tanta gratidão que não posso explicar.

Quem pode me ver?
Quem pode me conhecer?
Quem pode saber de mim?

Gratidão por viver.
Gratidão pelo olhar humano e sensível que ganhei.
Nem sei o que dizer,
nem sei como escrever...


Meu mundo é um baú sem fundo,
cheio de amor e de paz.
Tem uma avalanche de tudo que li,
de tudo que vivi,
de tudo que descobri e do que quero revelar...


Meu mundo ilumina o meu dia em mim...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Meu futuro amor...

Meu futuro amor tem um pouco de mim.
Passeia entra as sílabas e pontuações...
Sorri pelo simples,
ama os cheiros e se vê nas canções.



Meu futuro amor de um bocado de mim...
Tem o frescor das almas livres,
a poética escondida nas flores,
tem a cor que vibra o coração.


Meu futuro amor tem tanto de mim...
Tem meu beijo em si como tradução do que se diz...
Tem o toque que sempre esperei,
o silêncio que me falta,
o pulso que me força a ser a docilidade que guardei.


Meu futuro amor tem meu romance 
escrito na pele,
e um vazio que me encontra sereno,
uma plenitude que se divide e expande quando somos o que temos que ser.



Meu futuro amor é meu,
e eu sou dele.
Ele me espera e eu sigo,
ao seu encontro estou indo...


segunda-feira, 5 de março de 2012

Não posso ser...

Não posso ser menor do que sou.
Meu tamanho foi formado e não pode ser mudado...
A vida o moldou.

Não posso fingir gostar do que não gosto,
me interessar pelo que não me interessa,
andar com quem não entende minha linguagem.


Não posso ser.

Não posso demostrar que creio no que não creio,
não posso deixar de ser para atrair o que eu desejo,
ou ser aceita por quem não aceita na verdade o que eu sou.
Não dá!

Não posso me adulterar.
É uma violência.


Vejo pessoas vestirem-se de imagens que não as refletem.
Vejo pessoas fugirem do que não dominam...
Vejo pessoas fingirem em todo tempo,
como se atuar fosse um ato inocente na vida..
Atuar na sua própria história é incoerente e medíocre.

Não posso cobrir-me do que não sou.

Minha veste é minha alma.
Minha capa é o meu corpo. É a casa.

Sou o que sou.
E quando o que sou não basta: eu mudo.


Não tenho medo de transformações.
Não fujo de oposições.
Não desejo a aceitação.
Desejo ser, viver e expressar as verdades que formam o que sou.

A vida é breve, curta.
São todos pequenos detalhes que ao olhar para trás são reconhecidos como grandiosos... então: não posso!
Não agirei como não sou por ninguém.

Se dá medo, se assusta... fazer o quê?

Não posso deixar de ser!

Quer ter o melhor?
 Vide o recheio!

domingo, 4 de março de 2012

Seja o mais simples que puder...

Seja o mais simples que puder,
seja você.


Vista-se como realmente quer,
deixe fluir.

Olhe-se e veja o que realmente é, 
onde deseja ir.


Seja o mais simples que puder,
a simplicidade é uma nobreza.

Veja seus detalhes,
suas cores,
seus valores.


Ande no seu caminho e seja!


Ame inteiramente,
abrace,
fale...
ande de tênis surrado quando quiser.


Cante desafinado ou afinado,
repita o filme que te marcou dez vezes,
gaste um pouco no telefone pra falar com quem quer.
Ande um pouco a pé.

Seja o mais simples que puder.
Seja amável e dê bom dia a quem vir,
caminhe,
caminhe...


Olhe-se e veja o que gostaria de ver,
seja o que você admira,
seja o que diz ser,
não seja teoria.
É simples se deixar levar por você.

Deixe-se fluir,
deixe ser feliz,
seja todo o interessante ser que vive em ti.


Seja o mais simples que puder,
a simplicidade é riqueza,
é beleza,
é o melhor que se pode ter,
e ser.

Admire-se e valorize-se com tudo o que te faz feliz,
recheie-se de si,
dos seus gostos,
dos seus sonhos,
da sua fé.


Permita-se ecoar ao mundo,
permita-se vibrar sua real forma,
emane seu espírito através do seu agir.
Seja você.



 Seja o mais simples que puder. 



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