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Nenhum medo.

Ele me esperava.
Não sei a quanto tempo.

Quando tocou minha cintura,
eu senti,
ele não tinha palavras.

Seu olhar rasgava meu corpo ao meio e via a minha alma.
Era assim que ele chegava.

Tive medo.

Uma vontade de correr daquele desasossego,
Mas não tinha jeito.
Cresci.
Tinha que ter peito para deixar fluir,
e viver de perto o perigo do que me dava medo.

E que medo.

Ele me espancava com seus beijos.

Eram tão fortes os beijos que já não beijavam,
batiam,
metiam medo.

Descontrolados beijos cheios de uma nostálgica lágrima que perguntava por onde eu andava antes dele.
Sem ele...

Seus dedos.

Tocaram minha pele seus dedos.
Sentia palpitar nos dedos o pulsar do peito,
estavam nos dedos.

Eram tão macios,
cuidado, receio.

Respirou profundo,
sem dizer palavra,
nada,
respirou bem fundo.
Me olhou com calma na alma,
Tinha passado tudo,
passado, 
era tudo.

E eu já não tinha medo.
Nenhum medo.


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Feita de Amor

O amor sempre me sobrou.  Sempre me salvou.Sempre foi tão fácil amar. Ser gentil. Ser em paz.
O amor me completa. Sou feita dessa profundidade. Sou feita de complacência e perdão. Feita dessa imensidão.
E há quem pense que amar está aliado a sexualizar a vida.
O amor é mais intenso. Tem a fluidez do tempo. Tem a lágrima que pulsa dentro. Tem barulho e gargalhar. Tem silêncio.
Eu fui formada e fornada nele. Nunca hei de estar só. O amor está dentro. Em movimento. Pulsando na alma que um dia daqui irá.
Fui gerada pelo próprio Amor. E em mim amor há.








Não tenho vergonha de ser!

Começo assim, lembrando um comentário de um amigo da faculdade sobre o meu post anterior - O Sexo das Almas: "Muito bom o texto. Uma prosa poética. Soou-me o AMOR cantado as avessas, como quem consegue ver de um ângulo oposto..." Começo assim, refletindo os comentários mais analíticos que recebo e dos mais apaixonados também, como o que recebi sobre o post Pra que viver na realidade?
"AMEI o texto, você descreveu o que eu realmente penso."
Sempre recordo-me de uma pequena frase de Mia Couto que diz que "o poeta não gosta de palavras, escreve para se ver livre delas", é verdade. 

A arte da escrita é uma libertação, uma ação que livra-nos de todo movimento interno que aflige-nos. Sim, sei que muitos não escrevem... muitos bebem, muitos entorpecem seu corpo por conta de toda guerra em sua alma... sei que muitos cantam, outros entregam-se a uma busca frenética na expressão de sua arte, sendo de tal forma seus personagens que depois buscam tratar-se para livra…