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Peteleco.

Ando tão sensível que um peteleco faz um furo. Deus me livre dos petelecos. Deus me livre dos furos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cordel do esquecimento...


Olhei com olhos bons o que bom não estava...
Olhei com os sentidos da minh'alma...
Sem recuar abri os cadeados,
Enterrei o presente e fiz passado, 
Doei ouro a quem só alcança o pão...

Fiz música e poesia,
criei rimas belas e sortidas,
alcancei notas musicais,
Ainda fiz mais,
Ainda fiz mais.

Fiz doce de panela,
costurei os retalhos maltrapilhos,
endireitei sorrisos,
dei o suspirar.

Entreguei lágrimas a outros... eu fiz.
E machuquei um coração,
só pra te amar,
só pra te amar.

Fui o todo e nem dei tudo,
tanto há e não desnudo,
mas nem posso assim fazer.
É o viver,
é o viver.

Agora a palavra é esquece-me...
Hoje eu sei tu não me queres,
jogas fora sem pesar...



Então guardo-me em mim,
reservo-me assim,
outro enfim vai logo estar.

Em lugar de verso e prosa,
em lugar do meu cordel,
vai tomar a sonhadeira,
dos teus braços hoje fel.

Teus caminhos tortuosos,
cheios de engano e vão,
vão se embora dessa vez,
não abrigo-te mais não.

Mentis bem que eu acredito,
mas não vou mais te ouvir,
nem palavras nem sentidos,
posso a ti deixar abrir.

Tua boca é engano,
mais ainda o coração,
brincas como leviano,
adulteras coração.

Tenho dito agora esqueço-te,
nunca mais mesmo cordel,
nem sorriso nem beijinho,
nem poética nem mel.

O que era doce e meu,
tudo tinha pra te dar,
mas agora já não é teu,
meu amar,
meu amar.

Fecho assim esse cordel,
do esquecimento é o nome,
te amei,
te amei,
como se tu fosse home.

Mas no fundo tu só era,
um bela de uma fera,
machucando e "ferino",
dando aos outros um castigo,
um castigo que sofreu
o desprezo e se perdeu.

Tá agora andarilho,
tão perdido e empobrecido,
dentro de uma alma errante,
incapaz de se mostrá.

Vive seduzindo o mundo,
mas esse mundo é vazio,
vai passá,
vai passá.

Eu prometo de pé junto,
nunca mais de ti falá,
não mereces meu amor,
sai pralá,
sai pra lá!



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