Faxinando...

Tô tirando tudo que está pela metade...
Tudo que não é...
Tudo que não vinga...
Tô afastando da alma, 
do coração, 
da vida.
Nada de amarras escolhidas!
Essas coisas atrasam-nos o andar.


Tô expurgando esses pequenos demônios,
males já vencidos,
males que querem voltar.

Tô fazendo a limpa,
dando uma geral,
acabei de faxinar!

Limpei os cantos da sala,
passei um pano e agora está tudo a brilhar.
É que quero receber visitas,
recepcionar, aconchegar.

Tô tapando as brechas do muro,
protegendo  e guardando o mais doce coração.
Aguardando os amplos sorrisos,
cultivando grandes e poucos amigos,
que cabem apenas em uma mão.

Tô apreciando os presentes,
que a vida faz questão de entregar.



Respirando o ar da sinceridade,
do abraço de verdade e do bem que é amar.

Por tantas coisas esforço-me,
e retiro de mim o que faz magoar.
Quero deixar a casa pronta para o que é bom entrar e sempre ficar.

Vou tirando tudo que não deu,
e tudo que ninguém falou.
Abandonando a interrogativa que no caminho sei que ficou.

Nada de amarras, nada de amarras!
Escolhidas? Nem pensar.
Segue a vida, segue a vida.

Qualquer coisa, volto a faxinar!


Minha receita de felicidade é essa: 
Ser inteiro em tudo o que faz!



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